As transformações estruturais vividas pelo setor de saúde nos últimos anos têm exigido novas visões e posturas da gestão hospitalar. Entre elas, estão a busca pelo aumento da eficiência das operações, pela melhoria da qualidade da assistência, pela redução dos desperdícios e a geração de informações qualificadas.
Estes são alguns pilares da metodologia DRG (Grupo de Diagnósticas Relacionados). A plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + Inteligência Artificial foi desenvolvida sob uma perspectiva de avaliação de grupos de diagnósticos homogêneos dos pacientes, em busca de maior previsibilidade de custos e desfechos assistenciais.
Desfechos assistenciais e consumo de recursos tornam-se comparáveis e previsíveis, uma vez que os pacientes agrupados em um mesmo DRG (produto assistencial) possuem características clínicas e de risco similares, determinando uso de recursos (diárias e insumos) também similares.
No Analytics da plataforma, se tem uma visão dinâmica da qualidade do cuidado e dos resultados econômicos, criando as condições necessárias para os hospitais melhorarem seus resultados.
“Por meio da tecnologia propiciada pela plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + Inteligência Artificial, hospitais públicos e privados vêm aprimorando o planejamento, a avaliação da qualidade do cuidado e a eficiência na utilização de recursos e serviços.
Com as ações adotadas e com práticas eficientes os desperdícios são eliminados deixando os hospitais mais eficientes podendo atender mais pacientes e oferecendo mais qualidade. Em resumo, conseguem salvar mais vidas”, explica Dr. Renato Couto, presidente do Grupo IAG Saúde e cofundador da plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil.
Neste artigo, vamos falar sobre gestão hospitalar e como a plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + Inteligência Artificial está contribuindo com os resultados assistenciais e econômicos de hospitais brasileiros – mais de 400 usam já usam a ferramenta. .
Boa leitura!
- Como estruturar uma gestão de saúde eficiente?
- Experiências reais de hospitais públicos e privados com a plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + Inteligência Artificial
Como estruturar uma gestão hospitalar eficiente?
O principal objetivo de estruturar uma gestão hospitalar eficiente é reduzir o desperdício. Isso requer uma revisão completa dos processos operacionais.Para conseguir um bom resultado, a instituição de saúde precisa focar nos 4 alvos assistenciais:
Alvo assistencial 1: uso eficiente do leito hospitalar
As causas dos principais problemas enfrentados pela gestão hospitalar relacionados à ineficiência do uso dos leitos são:
- Eventos assistenciais intra-hospitalares adversos.
- Ausência de continuidade no cuidado dos pacientes após a alta hospitalar e de resolutividade da atenção primária e secundária. Isso leva ao prolongamento da internação hospitalar para além do período necessário, considerando a estabilização do quadro clínico agudo. O hospital é o principal centro diagnóstico e de reabilitação do sistema de saúde. No entanto, deveria ser a rede ambulatorial para desafogar a gestão hospitalar.
- Burocracia fútil nas relações entre hospital, operador do sistema de saúde e médico, que trazem lentidão aos processos assistenciais.
- Modelo remuneratório hospitalar e do médico que não incentiva o aumento da produtividade do leito hospitalar, ou seja, o tratamento intra-hospitalar no menor tempo seguro para o paciente.
- Limitações sociais do paciente e da família, que dificultam a continuidade do cuidado após a alta hospitalar.
- Judicialização, que transforma o hospital de agudos em um centro de cuidados paliativos.
Alvo assistencial 2: aumento da segurança assistencial
O dano ao paciente desencadeia uma carga de consumo de recursos em todo o sistema de saúde. As condições adquiridas — danos e lesões causados aos pacientes durante a internação hospitalar devido a falhas na assistência — aumentam entre 13% e 16% os custos relacionados ao tratamento intra-hospitalar, segundo estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O levantamento da OCDE ainda mostra que 15% das despesas e das atividades hospitalares em seus países-membros podem ser atribuídos ao tratamento de rupturas na segurança assistencial. Esse dado é conservador, uma vez que a carga financeira em todas as categorias de eventos adversos ocorridos na gestão hospitalar varia de 1,3% a 32% dos gastos públicos com hospitais.
As causas das falhas assistenciais podem ser inúmeras, mas a base comum é a fragilidade na incorporação dos princípios de gestão dos processos. Em outras palavras, o problema é a falha de uma ação planejada ser finalizada de acordo com o pretendido (erro de execução) ou o uso de um planejamento errado para alcançar um objetivo (erro de planejamento).
Alvo assistencial 3: redução de internações evitáveis
As internações excessivas por condições sensíveis à atenção primárias são potencialmente evitáveis no Brasil. Elas consistem em um conjunto de afecções clínicas que, quando abordadas de maneira resolutiva pelo cuidado primário, podem ter sua evolução aperfeiçoada, a fim de evitar internações.
As principais causas da elevada incidência de internação por esses problemas no Brasil são:
- Atenção primária de difícil acesso e baixa resolutividade.
- Modelo remuneratório e assistencial da emergência que não incentiva a resolutividade.
Atualmente, a remuneração pela atenção emergencial para hospitais e médicos ocorre por atendimento realizado. Alguns pacientes podem exigir um tempo maior de observação na emergência (maior do que 6 horas) para garantir a alta segura para o domicílio. No atual modelo, esse atendimento não é remunerado e determina internação hospitalar para garantir a segurança ao médico, ao hospital e ao paciente.
A dificuldade de acesso dos pacientes ao sistema de saúde não se encontra entre as causas do problema na saúde suplementar. Isso porque a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabeleceu mecanismos que garantem o acesso em tempo adequado. Essa diretriz não é aplicável ao SUS.
A resolutividade da atenção primária, que pode ter como um dos marcadores a ocorrência de internações por esse problema, não é mensurada de maneira contínua como feedback aos responsáveis pelo processo no sistema de saúde. Desse modo, as ações de melhoria são impossíveis de serem aplicadas.
Alvo assistencial 4: diminuição de readmissões preveníveis
As reinternações potencialmente evitáveis têm como principais causas:
- Ausência de continuidade qualificada da assistência hospitalar.
- Eventos adversos da assistência hospitalar que se manifestam no domicílio.
A reinternação de pacientes com complicações da internação que se manifestam no domicílio — por exemplo, infecção relacionada à assistência — ou por um novo agravamento do seu quadro, geralmente ou falhas de acompanhamento ambulatorial ou domiciliar.

Experiências de hospitais públicos e privados com o DRG Brasil
A plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil ajuda hospitais públicos e privados a colocarem em prática os 4 alvos assistenciais. Confira experiências reais de instituições que usam a ferramenta.
Prefeitura de Belo Horizonte
Em 2017, a Secretaria Municipal de Saúde implantou o DRG Brasil em sete hospitais 100% SUS da capital: Santa Casa, Odilon Behrens, Metropolitano Dr. Célio de Castro, Risoleta Neves, São Francisco, São José e Sofia Feldman, que juntos somam mais de 50% dos leitos SUS de Belo Horizonte.
Entre os principais ganhos que o DRG Brasil trouxe para a gestão da saúde pública, a Prefeitura de BH elenca:
- Redução do tempo de permanência do paciente em internação
- Aumento no giro de leitos
- Queda nas readmissões hospitalares
- Aumento da segurança assistencial
- Diminuição das internações potencialmente evitáveis
Após a implantação do DRG Brasil nesses hospitais, com base nos 4 alvos assistenciaisl (uso eficiente do leito hospitalar, aumento da segurança assistencial, redução de internações evitáveis e redução de readmissões preveníveis), houve significativo aumento do número de autorizações de internação hospitalar, devido à maior eficiência do uso do leito.
Assim, foi possível internar mais pacientes, garantindo mais acessos (impressionantes 1.700 internações adicionais por mês) sem a necessidade de injetar recursos.
A experiência da Prefeitura de Belo Horizonte com o DRG Brasil rendeu, inclusive, a premiação “Gestão para resultados no desenvolvimento”, concedida pelo BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento. Saiba mais detalhes aqui.
Confirma o depoimento da Jomara Alves, presidente do Grupo de Inovação em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde/Prefeitura de Belo Horizonte em 2021, sobre os benefícios do DRG Brasil para a Prefeitura de Belo Horizonte.
Maternidade Unimed BH – Unidade Grajaú
A Maternidade Unimed BH – Unidade Grajaú usa o DRG Brasil desde 2012 e os resultados estão sendo significativos. Por exemplo, alcançou-se a redução de 40,55% na Taxa de Readmissões Não Planejadas. No setor de Neonatologia, por sua vez, a redução foi de 83,01%.
Registrou-se quedas também na Taxa de Condições Adquiridas Graves (redução de 31,83%), na Taxa de Condições Adquiridas (redução de 28,37%) e na Taxa de Condição Adquirida na Ginecologia e Obstetrícia (redução 1,41%).
Conheça essa história em detalhes aqui.
Hospital Regional São José dos Campos
O Hospital Regional de São José dos Campos, um estabelecimento hospitalar 100% SUS, é mais um case de sucesso. A instituição, que utiliza a metodologia DRG Brasil desde 2018, foi reconhecida com o Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil.
Depois do cadastro dos dados, da realização de auditorias de 100% dos prontuários, do treinamento da equipe multidisciplinar e do acompanhamento constante com os coordenadores do projeto, os resultados econômicos e assistenciais não demoraram para aparecer.
Em 2020, ano muito desafiador por conta da pandemia, o hospital alcançou uma eficiência de 97,4%, partindo de uma ineficiência de 72% em 2018. Além disso, houve a redução do tempo de permanência médio cirúrgico, de 3,6 dias para uma previsão de 1,9 dias, em 2018.
Rede São Camilo de Hospitais
A Rede São Camilo de Hospitais, de São Paulo, usa o DRG Brasil em 2021. Com a implementação da plataforma em três hospitais da rede, Santana, Pompeia e Ipiranga, o objetivo era garantir o acesso da população ao tratamento hospitalar com agilidade, segurança e gestão de centros de custos.
Em uma avaliação com 228 pacientes submetidos a uma cirurgia bariátrica nessas unidades, os seguintes resultados foram alcançados:
- Aumento da adesão de 65% para 83,6%
- Redução de 1,3 dia para 1,1 dia no tempo de internação hospitalar
- Redução do problema de carboidrato de 90% para 19% dos pacientes
- Redução para 8% do uso de opióides
Saiba mais sobre essa história aqui.
Conheça mais experiências de hospitais com o DRG Brasil aqui.
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